Entre matéria e fogo

A escultura em cerâmica é uma forma de trabalhar com o que ainda não está definido. Não começa com uma forma final em mente, mas com uma relação direta com a matéria - um material em transformação contínua, que responde ao toque e ao tempo de maneira imprevisível.

O barro não obedece de forma linear. Aceita o gesto, mas também o devolve com resistência. Encolhe, cede, abre fissuras, sustenta ou colapsa. Trabalhar com ele implica uma atenção contínua, quase física, ao que está a acontecer no momento, mais do que ao que se planeou inicialmente.

Nesta prática, a escultura constrói-se devagar, por acumulação de decisões pequenas. Uma curva, uma espessura, uma junção… tudo altera o comportamento da peça. O processo exige escuta, não apenas execução. E muitas vezes é no desvio, no erro ou na fragilidade inesperada que a forma encontra direção.

E então chega o fogo.
A cozedura é um ponto de viragem absoluto. A peça deixa de ser maleável e passa a ser definitiva, mas nunca totalmente previsível. O forno transforma tanto quanto fixa. A temperatura, o ar, o tempo e a posição dentro do espaço introduzem variações que escapam ao controlo direto.

É nesse encontro entre intenção e transformação que a escultura em cerâmica se define. Um processo onde a forma não é apenas construída mas também descoberta e onde o resultado final é sempre, de alguma forma, uma surpresa.

Em julho, no curso de Escultura em Cerâmica, poderás explorar este processo como algo direto e sensível, onde a matéria responde de forma imediata ao gesto e à ideia.
Este percurso abre espaço a diferentes abordagens, do figurativo ao abstrato, e culmina na transformação irreversível do fogo.


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